Redimida - Release I Parte


Sinopse:

Muito antes de Dakota e sua relação sombria com o mal desconhecido, existia em um vilarejo paupérrimo na França uma jovem chamada Paola, que também tinha uma história profunda a ser contada...
Sua vida em volta de questões violentas e sobrenaturais, envolvendo amor e ódio, esperança e ressentimentos, vida e morte, sonho e pesadelo em volta de um século que jamais será esquecido, o século XX e sua devastadoras Guerras Mundiais... 
Tudo o que Paola queria era ter uma vida tranquila com seu marido Miguel, ter filhos, criar novas esperanças perante um destino cruel que acabara de viver com sua mãe Samantha em consequência da Guerra. Mas, ela não poderia prever que mais coisas estariam a espreita esperando para atacá-la no momento em que se sentisse mais vulnerável. Entregue ao fracasso...



Release:

Paola conhecera Miguel um pouco antes da Primeira Guerra começar, e ambos se apaixonaram com aquela doçura e candura de um amor de adolescência, da qual não tinham ideia do quanto teriam que enfrentar juntos, com fé e amor, tudo o que os esperavam pela frente.
Miguel era um ano mais velho que Paola, já exercia a maior idade para servir seu País; sua amada ficara devastada com a notícia de que seu noivo teria que ir para a guerra e que talvez, nunca mais pudesse voltar.
Entre tantos pesadelos, acordada ou dormindo, sendo devastada a cada notícia de morte que recebera de alguém que amara e a culpa que carregava pela morte de suas irmãs; Paola foi enfrentando a dor com a esperança de reencontrar Miguel novamente, e ela tinha consciência que quando ele voltasse, mas do que nunca, ele iria precisar dela como seu maior suporte psicológico; mas ela não estava tão certa disto.
Com muita espera e orações em meio às lágrimas, quase sem esperança, Miguel voltou da guerra diretamente para seus braços, convicto de cumprir o que antes de partir havia prometido para sua amada; casar-se com ela.
Paola optou por um casamento humilde, com poucos convidados, e isso deixou a pequena elite que a cercava um pouco indignada; uma vez que bailes e festas caríssimas eram feitas para o deleites dos mesmos. Muitos não se importavam com a devastação que a guerra deixou, esses só pensavam em se vincular a política a fim de aumentar seus ganhos financeiros e status sociais; e a festa era um meio muito comum e conveniente de se apresentarem e conhecerem uns aos outros pessoalmente e tratar de negócios também. Ou seja, era uma oportunidade imperdível que Paola abriu mão junto a seu esposo de bajular uma sociedade hipócrita, que não ligava para nada a não ser o seu próprio umbigo.

                       -------------------------------------------------------------------------

Paola estava se arrumando para a festa de noivado de sua prima Maya; diferente de Paola que era simples e deixava expressar sua beleza naturalmente, Maya era vaidosa ao extremo, não podia ficar sem suas maquiagens, roupas das melhores marcas possíveis do mercado, penteados em alta e o mais óbvio, sem se orgulhar em exibir tudo o que tinha para o público da elite. Por isso a festa precisava ser impecável, Paola não conseguia imaginar então, como seria o casamento de sua prima.
Pena Paola não perceber o sentimento de sua prima antes do tempo; ela não fazia ideia do que Maya poderia ser capaz de fazer para se destacar e entrar em uma competição que só existia em sua cabeça, para Maya, Paola não era como uma querida irmã, mas sim como sua maior rival, que poderia roubar com sua doce beleza, os mais ricos pretendentes que surgissem em seu caminho. Era algo que faltava na auto-estima de Maya, de alguma forma ela não se sentia bonita e inteligente o suficiente como sua prima, embora ela fosse uma linda morena de olhos âmbar, com longos cabelos castanhos escuros de tirar o fôlego de qualquer homem; de alguma forma, para ela, era a beleza de Paola que poderia sobressaltar os olhos dos mais poderosos homens, com sua pele pálida, olhos azuis celestes e cabelos longos ruivos e ondulados. Talvez, fossem na beleza da inocência que os traços de Paola carregavam que perturbavam Maya; embora ela fosse totalmente oposta e carregasse uma beleza completamente perspicaz e sedutora. Havia algo em Paola que Maya não conseguira explicar a ela mesma, algo que ela ficou observando e desejando por toda infância e adolescência; porém, não encontrava respostas. O que ela não sabia é que muito da beleza é simplesmente o reflexo que carregam nos corações. Como um espelho que projeta exatamente a imagem que lhe é mirada para fora.
Apesar de a pobreza existir entre eles, por virem de uma linhagem rica, seus avós passavam seus conhecimentos para seus filhos e netos; eles tinham conhecimento perfeitamente tanto em exatas como humanas. Sabiam ler perfeitamente e mesmo diante da pobreza, assim como o conhecimento, passavam os livros que obtiveram de geração a geração.

----------------------------------------------------------------

Paola adentrou a casa de Maya junto a Miguel, e como era de se esperar, todos por um breve momento pararam de falar e olharam imediatamente para Paola. Todos a conhecia e não esperavam de modo algum que ela fosse vestida daquela forma para o noivado de sua prima; Miguel estava orgulhoso por sua bela esposa ter parado a festa. Maya estava conversando com uma de suas amigas ricas e convenientes naquela nova vida para ela. A amiga de boca aberta, sem acreditar, apontou sutilmente para Paola e Maya com um olhar questionador, logo acompanhou o dedo de sua amiga e finalmente pode avistar a tão insignificante presença, que agora, pareceria mais um pesadelo se concretizando diante de sua face.
Depois de tanto tempo sem ver sua prima, Maya não esperava ver Paola daquela forma. Paola estava diferente, radiante e mesmo difícil de ela admitir, mais linda do que nunca.
Os olhos de Paola tentavam encontrar os de Maya. E finalmente encontrou. Maya a fitava com olhos furiosos, vestida com um lindo vestido prata cheios de brilhos e longos, ainda assim, Paola ofuscava a beleza de qualquer um naquela festa.
Maya não se conteve e jogou com força a taça de champanhe no chão, fazendo-a se estilhaçar; deixando mais claro do que nunca para a elite que presente estava, de que Paola era um verdadeiro incômodo a ela.
- Satisfeita? – Miguel perguntou à Paola.
- Sim. – Respondeu com um pouco de remorso.
- Eu sei que você não é esse tipo de pessoa Paola. Sei que você não veio para estragar a festa de sua prima, mas devido ao histórico dela, você deveria saber que ela surtaria.
- Eu sei. Mas não imaginava que seria tão terrível assim. Perdoe-me por isso, não quis constranger também você. – disse um pouco cabisbaixa ao marido.
- Você está louca, você me fez provar para esta sociedade medíocre o quão sortudo eu sou por ter você. Não lamente mais, sei que seu coração não é ruim como o da sua prima. Sei que você não tinha controle sobre sua ideia de adolescente. – falou sorrindo. – Agora vai lá, tenta falar com sua prima, quem sabe algo não se resolva de uma vez por todas entre vocês.
Paola concordou com um leve sorriso para Miguel. Talvez, se Paola conversasse francamente com Maya e a mostrasse também seu devido valor e tudo o que ela conquistou, Maya talvez perceberia que chegara o momento em que deveria dar uma trégua e seguir com sua vida. Afinal, agora ela tinha exatamente o que queria.


Então Paola seguiu Maya, ela havia ido em direção à cozinha.
- Maya!- Chamou Paola.
Maya se virou e respondeu com um tom alto e irônico:
- Paola, minha prima, o que você acha que está fazendo vestida desse jeito? Isso é para me confrontar? Será que você nunca irá perceber que você não passa de uma garota pálida sem vida, sem sangue quente nas veias. Só mais uma sem graça nesse planetinha patético.
- Maya, eu nunca pensei que minha forma de vestir a magoaria, a ponto de se rebaixar e me insultar como se fosse uma adolescente perdida. Onde quer chegar com isso? Eu realmente pensei que se a gente tivesse uma conversa franca, entre tudo o que houve, você talvez poderia dar uma trégua. Afinal, eu é quem fui traída por você. – Desabafou Paola.
- Eu te traí? Você está falando do Miguel? Aquilo só foi uma brincadeira. E vocês dois levaram a sério. Acha mesmo que eu iria querer ficar com seu noivo? Ah! Poupe os meus nervos querida prima.
- E por que não? Afinal, ele é bonito, rico, e podia lhe dar a vida que quisesse. Mas ele te negou. Ele jamais me trairia. Eu estava por detrás daquelas árvores, em um lugar escondido, observando vocês. Você em nenhum momento demonstrou ser uma brincadeira. Eu vi quando você tentou beijá-lo e ele a afastou. Como sempre, você nunca muda, por ser renegada, não pode conter sua raiva e deu um tapa no rosto de Miguel.
- Pare de mentir. Você não estava lá. Foi isso que ele te contou? – riu, tentando disfarçar a raiva por Paola ter assistido a tudo.
- Não prima, eu vi. Querendo você ou não. E nada irá mudar este fato. E me casei certa de que Miguel me amava e que tudo o que passamos não foi uma mera alucinação de minha mente. O que me deixa mais triste em toda essa história é saber que você liga para tudo isso. – falou apontando para as coisas. – e mal sentiu sequer a morte de seu irmão, tios e primos, avôs. Sua família para você se resumiu a nada. Eu tinha esperança de chegar aqui e ver uma nova mulher, madura, sensata, pelo fato de termos saído de uma guerra que não só envolveu nossa querida família, como também nossos amigos, nossos vizinhos, nosso povo. Estou decepcionada.
Enquanto Paola falava todas estas verdades para Maya; parecia que Maya deixava bem claro com sua fisionomia, o quanto ela realmente não ligava para nada do que Paola dizia. Percebendo esta expressão, Paola balançou sua cabeça em conotação negativa, enxugou uma lágrima, pedindo licença, retirou-se da presença de Maya.

------------------------------------------

Paola foi correndo com os olhos cheios de lágrimas para a escadaria.
Quando se recompôs, pôde ver uma sombra passar por um dos corredores que dava acesso rápido aos quartos. Paola achou estranho e resolveu seguir os passos da sombra, queria saber quem poderia estar bisbilhotando as coisas de sua prima.
Seguindo assim, os vultos rápidos que lhes apareciam, viu que um deles entrara em um dos quartos que ficavam na parte de baixo do casarão. Paola não pensou duas vezes e abriu a porta, escancarando-a.
Assim que Paola abriu a porta, deu de cara com uma sombra preta de olhos vermelhos famintos do lado da cama, a sombra tentava se esconder em algum dos móveis do quarto, próximo a cama. Mas, Paola não conseguiu fugir, em vez disso, suas pernas ficaram abaladas e totalmente presas ao chão. O pânico que sua visão causara não deu a ela vazão para que pudesse fugir do perigo, então a sombra percebeu que estava sendo vigiada e olhou bem fundo para os olhos de Paola. Em questão de segundos a sombra já pegava no pescoço dela e sugava sua energia vital junto de seu ar pela boca completamente até que ela caísse sem forças e inconsciente no chão.

---------------------------------------------------

Paola abriu os olhos. Uma luz forte atingiu-os, ela podia ver bem, estava a sua frente, majestosa. Não conseguia ver corpo e nem o rosto, só uma silhueta em meio a tanta luz.
Ao seu redor, ela pôde ver que estava num campo cheios de hortelãs, e de alguma forma, o cheiro das ervas subiam como um bálsamo que curava a angustia que tinha em seu peito. Em vez de Paola se desesperar, ela pôde sentir paz; ela chegou a pensar que estaria morta, mas não se assustou com este pensamento, pelo contrário, ela teve paz.
À sua frente aquela luz forte, agora, parecia estar assentada em um grande trono branco e desta vez ela pôde perceber a presença de alguém, que estendia a mão e a convidava a andar por todo aquele maravilhoso lugar.
Ela se encheu de graça e não queria sair da presença daquela Divina Luz, mas obedeceu sua ordem e começou a correr alegremente pelo lindo local. O Céu era quase branco, as folhas das árvores eram de um tom de azul esverdeado, era algo que ela não poderia explicar, era algo de outro mundo. Existiam muitas ervas ao redor dela, de todos os tipos, mais a frente tinha um lindo campo vasto de todos os tipos de flores, totalmente coloridos.
Conforme ela foi caminhando por esse lugar excelso, ela pôde avistar um portão gigante que era feito de diversas pedras preciosas, revestido de cima abaixo de muitas pedras das quais a maioria delas, ela nunca havia visto na vida, mas sabia que na bíblia em que ela lia rigorosamente, existia uma passagem da qual falava sobre a entrada do Céu e citava cada uma de suas pedras. Ela percebeu também que o portão estava entreaberto, havia somente um pequeno espaço aberto. Paola ficou confusa, não sabia se este portão estava se fechando ou abrindo. Ela ficou lá por um tempo, observando, para ver algum movimento deste lindo portão, mas ele permanecia na mesma posição, intacto.
Então, por sentir tamanha alegria e graça, ela nem ousou chegar perto deste portão, pois não queria que aquele momento acabasse jamais.
Lá não existia dor, não existia saudade, não existia culpa, não existia morte.

Ela estava completamente maravilhada com toda aquela riqueza e beleza e estava certa de que ali era o Paraíso.
Correndo mais a frente Paola pôde encontrar um riacho, e debaixo dele eram cheios de mais pedras preciosas, a água era tão pura, tão clara, que mais um pouco não daria para enxergá-la. Não existia sol, só aquela luz do Trono, e ela iluminava tudo e também dava a vida a tudo ao seu redor.
Ela tocou na água do riacho, sentiu uma grande e terna sensação e experimentou entrar. Mergulhou nas águas e permitiu ser levada pela correnteza, onde quer que ela a arrastasse.
Sentindo a correnteza levando-a de uma forma tão suave, que mais parecia que aquelas águas estavam fazendo carinho em Paola. Ela se enchia de alegria, ria, e dizia em voz alta, que não queria mais voltar. Ela sabia de alguma maneira, que tudo aquilo ainda era muito pouco para o que ainda estava por descobrir; e também sabia, que mais pessoas, como sua família que ela havia perdido, provara daquela sensação quando mais precisou.
Enquanto Paola deixava a correnteza levá-la, ela olhava para o Céu fixamente, onde percebia uma mudança drástica e completamente linda de cores. Até que notou que o Céu voltara a se tornar azul, como no mundo real. E ouviu uma voz gritando seu nome. Era a voz de Miguel. Ela se assustou e ficou sem compreender o motivo de ter ouvido a voz de seu marido. Ela fechou os olhos e pediu para Deus não deixá-la voltar, pois sabia que em breve, na glória, viria novamente sua família que estava viva. Porém, quando ela abriu os olhos novamente, pode perceber que estava boiando em águas rasas, a qual essas mesmas águas preenchiam todo o local de uma cidade que ela nunca conhecera. Tinha gente por todo o lugar, brincando nas águas e logo a sua frente, Miguel sorrindo para ela, chamando-a. Ela se levantou e correu para perto de seu amado. Ele a beijou como quando eles eram adolescentes, puxou sua mão e começou a correr em direção a uma muralha que parecia dividir a cidade.
De mãos dadas e ainda sem compreender nada, Paola atravessou através de um pequeno buraco na muralha para o outro lado da cidade. Mas ali não tinha cidade, era uma praia, e Samantha também estava lá, cuidando de algumas crianças que Paola não fazia ideia de quem eram.
Ela tentou perguntar, mas foi interrompida por sua mãe, dando uma bronca nos dois por terem atravessado a muralha.
Ela tentou entender porque aqueles dois estavam ali, o que tudo aquilo significava. Era real? Parecia real, era real para ela.
Miguel, sorriu novamente e tentou puxar Paola para entrar nas águas com ele. Porém, neste momento, um alarme, forte, muito alto e firme soava.
Samantha olhou para os dois com os olhos de medo, e começou a chamar as crianças para voltar à cidade através daquele buraco que havia na muralha.
Paola e Miguel ficaram sem entender, olhavam ao redor e não viam nada. Era uma cidade arcaica, velha, parecia da Idade Média. Não existia um chão seco ali, somente aquela água rasa e limpa embaixo dos pés deles, que mesclavam com o oceano sem se misturar.
Até que eles puderam sentir uma grande onda vindo em direção a eles, e antes mesmo de ouvir Samantha gritar para que se escondessem. De dentro do mar saia uma grande estátua de pedra viva, que gritava com agonia, e se apressava a vir ao encontro dos dois.
Eles foram para trás do buraco e ficaram expiando através dali; A estátua andava pelas águas e fazia vir grandes ondas para a cidade depois da muralha.
Paola pôde sentir o impacto das ondas em seu rosto, sua mão largando a de Miguel, e ela tentando nadar desesperadamente para a superfície, a fim de buscar ar para os seus pulmões, mas cada vez que ela tentava subir, mas ondas a levavam para longe, até que ela cansada de nadar contra as águas, começou a voltar a lembrar de todas as coisas que sofrera e decidiu desistir, em vez de lutar.


Ps.: Todas estas cenas estão sem correção ortográfica, todas estão dispostas a modificações. As cenas estão desconexas para não revelar a história, espero que apreciem a leitura.


2 comentários

  1. Amei!!!Como sempre você surpreendo com sua doçura e sua sensibilidade.Gosto demais de tudo que você escreve,por isso mesmo seu Blog consta nos meus favoritos a muito tempo.Sucesso Ninfa dos olhos lindos.Bjus

    ResponderExcluir