Humano, apenas humano


Tem dias em que tudo pesa de tal forma em teu ser que quando você cai em si, tudo o que quer é fugir de tudo, chorar até adormecer. Mas, "a vida" te ensina a ser de ferro, mesmo que isso jamais aconteça. E você fica imóvel como um soldado diante da linha de frente de um combate, só esperando as bombas estourarem, sem nem ao menos tentar se defender delas. Você se faz invencível para o mundo e todos te veem como se nada fosse capaz de te atingir. E você se nega a recuar e mostrar suas feridas, você se nega a mostrar que é simplesmente um ser humano com todo o conjunto que vem em ser de carne e osso. Talvez admitir que nem sempre você é o melhor soldado em batalha poderia te salvar de verdade de muitas coisas. Porém, você pensa que expôr sua dor desta maneira, iria te fazer um (a) covarde perante os outros.
Você precisa ser o (a) melhor, o (a) mais corajoso (a), o (a) altruísta, o(a) herói (na) que dá sua vida por todos, menos por si mesmo (a).
Enquanto você encara a guerra de frente feito de aço, você se sente por dentro em pedaços... Sua maior vontade é pedir clemência, tirar a armadura e abandonar uma batalha da qual te colocaram lá, e você aceitou lutar por algo que nem mesmo você acredita.
Seu mundo desmorona, você cai num conflito interno com o seu próprio eu. Você percebe que luta a anos por coisas que não faz sentido e nem nunca fará só porque todo mundo um dia te disse que valia a pena. Mas, nunca se permitiu confrontar a "verdade" alheia, nunca parou para pensar qual seria o caminho que você escolheria, pensou que por todos esses anos, lutou por algo que acreditava ser verdade, mas era mentira. E hoje, não há um dia sequer que não se sinta perdido (a) num vazio sem fim de seus conflitos internos entre agradar a si ou ao mundo.
Sinto, verdadeiramente, que existem pessoas que já sabem a resposta de tudo; mas permanece como robôs perante a uma situação para viver sua vida agradando aos outros, mostrando o quanto é estonteante, magnífico (a), superior a tudo. Mas, no fundo só resta pedaços, cacos de um ser que um dia se permitiu viver de acordo com o que de fato era. Com sua natureza humana, com sua simplicidade, sem se auto flagelar por nada... Permitindo apenas em ser aquilo que sua natureza lhe deu de presente. Sentir cada coisa simples da vida, usufruir de toda alegria ou até mesmo tristezas. Permitir-se ser quem de fato sempre foi, humano, apenas humano.

0 comentários